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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Os 100 mais da Wine Spectator em 2009


É uma das listas mais aguardadas do ano e acabou de ser editada em pré-publicação, com edição muito próxima. Em antestreia nacional ficam desde já as duas únicas referências portuguesas da lista deste ano, o Meandro 2006, com 92 pts, e o Churchill’s Touriga Nacional 2007, com 91 pts.
Em jeito de curiosidade, os dez melhores classificados são:
• Fontodi Flaccianello 2006 (99 pts)
• Carlisle Syrah Papa's Block 2007 (98 pts)
• Domaine St.-Préfert Collection Charles Giraud 2007 (97 pts)
• Uccelliera Brunello di Montalcino 2004 (97 pts)
• Clos des Papes 2007 (97 pts)
• La Massa Giorgio Primo 2007 (97 pts)
• Saxum Broken Stones 2006 (96 pts)
• Numanthia-Termes Termes 2005 (96 pts)
• Merry Edwards Sauvignon Blanc 2007 (96 pts)
• Poggio Il Castellare 2004 (96 pts)
• Renato Ratti Marcenasco 2005 (96 pts)
• Hall Cabernet Sauvignon Kathryn Hall 2006 (96 pts)
• Barone Ricasoli Castello di Brolio 2006 (96 pts)

domingo, 8 de novembro de 2009

Pura maldade


Eu sei que é perverso e quase desumano, mas vá lá, só mesmo para provocar, deixem-me adiantar o alinhamento do jantar de um amigo que percebe mesmo de vinhos, há coisa de quatro ou cinco dias. Nos brancos entrámos com um embate entre Chapoutier Le Méal blanc 2000, Kumeu River Mates Vineyard 2006, Georges Vernay Condrieu Coteau de Veron 2006 e Delas Condrieu Clos Boucher 2006. Forma incrível para o Georges Vernay, decepção tremenda para o Delas!
Para os entreténs de boca avançou o Chateau d’Yquem 1988, soberbo como raramente o são os Sauternes.
Para a piéce de resistance alinharam-se Penfolds Grange 2002, Penfolds Grange 2001, Penfolds Grange 1998, Gaja Sori Tildin 1997, Chateau Ausone 1997 e Opus One 1997. Custa-me admitir, mas a estrela da noite foi mesmo o Grange 1998, seguido de muito perto pela Grange 2002 e Gaja.
Para rematar em beleza, o Chateau Les Justices 1998, um Sauternes bem engraçado, que desconhecia por completo…

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Biológico... ou biónico?


Pois é, não sei se teria coragem para provar este "sapo biónico" nascido na Califórnia...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Portuñol


Foi mesmo este o nome eleito por François Lurton para ilustrar o seu novo projecto de vinho, um licoroso de Toro, um vinho extreme da variedade Tinta de Toro, elaborado “ao estilo” do Vinho do Porto. Apesar de pouco, ou nada, se assemelhar a um Vinho do Porto, este Portuñol acaba por ser engraçado, irreverente e muito frutado, apesar de claramente magro e curto na boca. E, claro, apesar da inspiração evidente e assumida no Vinho do Porto, as diferenças, essas também são notórias, começando pelas uvas passificadas de uma só casta… e terminando no estágio de alguns meses em barricas de carvalho francês!
Curiosamente, por mais que uma vez senti que o estilo se situava num registo muito próximo dos “Port Style Vintage” australianos… o que não constitui exactamente o melhor elogio.

domingo, 1 de novembro de 2009

Mas que grande lata...


Convenhamos, nunca antes o conceito de vinho de garagem tinha sido levado a tal extremo…
E não, não é um vinho australiano, californiano, ou de outras paragens tal-qualmente liberais. É um vinho da velha Europa, um vinho alemão…coerentemente aprontado numa antiga garagem de tractores!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Low-cost vínico?


Sim, sim, bem sei que o termo “low cost” não é de agrado geral e que se presta a interpretações mais ou menos duvidosas, mas o vocábulo é suficientemente explícito para me ajudar numa breve e simples reflexão. Porque é que a oferta gastronómica se adaptou tão depressa, e tão radicalmente, ao conceito, expresso na diversidade de restaurantes de autor que abrem portas oferecendo refeições cuidadas a preços mais que sensatos… enquanto a oferta vínica tarda em abraçar o conceito ajustado ao vinho? Quanto tempo mais tardarão a despontar os vinhos de autor “low cost”?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A Alemanha ficou mais perto


As coisas começam a mudar na distribuição de vinhos estrangeiros em Portugal. O movimento ainda é incipiente, incerto nos primeiros passos, sem rumo certo e definido. O que, sim, é certo, é que as águas começam a agitar-se de vez. Primeiro foi a La Fattoria com a distribuição de vinhos italianos, num portfólio que compreende um par de nomes consagrados em compita com vinhos menos mediáticos. Agora fiquei a saber da existência da Wine4Friends, um importador dedicado por inteiro aos vinhos alemães, centrado por ora nas regiões de Pfalz e Rheinessen, com incursões momentâneas por outras denominações. Tenho aqui dez vinhos para provar, na sua maioria de produtores que desconheço, e em breve espero poder acrescentar algumas considerações sobre a selecção.
Esperemos que outros se lancem igualmente nesta aventura do conhecimento, oferecendo vinhos alternativos e originais no mercado português.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Quem não tem cão, caça com gato...


O trocadilho é simplesmente brilhante. E, para mal de todos os pecados e para engrossar a vergonha gaulesa, o vinho é mesmo um genérico vin de table francês!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Os 100 produtores do ano

É sempre motivo de orgulho e regozijo nacional quando produtores pátrios são destacados e enaltecidos pela imprensa internacional. O contentamento é ainda maior quando descobrimos que a prestigiada revista norte americana Wine&Spirits inclui algumas adegas nacionais entre os cem melhores produtores internacionais do ano. Este ano, o destaque vai por inteiro para a Aveleda, Fonseca, Niepoort, Quinta do Noval e Quinta do Portal, os cinco eleitos portugueses pelos jornalistas da Wine&Spirits Magazine.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

E Agora António?

Recupero este post que escrevi , em 2008, no Chez Pirez, e volto a publica-lo agora após a triste noticia sobre a morte do António Carvalho. 

Domingo, Março 23, 2008




Ontem fui visitar o António Carvalho, personagem que apenas conhecia de algumas palavras trocadas no reboliço do El corte Inglês, onde costumava deslocar-se sempre que lhe pediam que viesse promover os seus vinhos. Por vezes, gostava de ficar a observar, à distância, a reacção dos pseudo entendedores (daqueles que dizem que vinho é tinto e de preferência bem morninho) perante o olhar vivo e desconcertante do António, quando este os convidava a provar os seus brancos da Estremadura, região que não tem o pedigree do Douro ou do Alentejo, e em que as garrafas não ostentam, no rótulo, o nome Quinta de qualquer coisa com um brazão.

Acontece que o António Carvalho é autor e produz dois vinhos de culto portugueses, O Casal Figueira Tradition e o Casal Figueira Vindima Tardia. Na verdade não produz, produzia.
Infelizmente, agora em que as suas vinhas estavam a atingir a maturidade, vão ser substituídas por plantações de morangos industriais, para regozijo dos impacientes da fruta de época.
Ontem, quando o visitei, não lhe perguntei o porquê de sucumbir a esse poder agro-industrial, logo ele que nunca se cansou de explicar as virtudes da produção do seu vinho segundo processos biodinâmicos.
Ainda tentei puxar para a nostalgia mas percebi que estava em vias de cair no ridículo. Afinal, o clima era de festa e todos os que quiseram aparecer mostravam-se felizes por ali estarem em convívio, provando, bebendo e comendo, sem pressas, como se amanhã fosse apenas mais um dia normal.

E agora António?
“ – Agora… agora começa-se tudo de novo, noutro sitio.”


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Um amigo...

Crédito foto: revista WINE – A Essência do Vinho

Hoje morreu um amigo, um homem verdadeiro e apaixonado, simples e sem lérias, um homem que viveu toda a vida de forma autêntica e descomplexada, sempre com um sorriso de eterna candura. Além de bom amigo e de bom homem, foi autor de alguns dos brancos mais originais de Portugal, os vinhos de Casal Figueira que tanto elogiei ao longo da minha vida profissional de jornalista especializado em vinho. A ti, António Carvalho, deixo uma sentida homenagem.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

USB (Port)


É, seguramente, uma das formas mais inteligentes de contornar a proibição legal de usar o nome “Port”, denominação de origem protegida, nos vinhos licorosos californianos… basta rabiscar o símbolo universal de um USB port e omitir a palavra! Já agora, para os perfeccionistas, o código em binário da videira significa “Peliter Station”, o nome do produtor desta imitação de Vinho do Porto.

domingo, 20 de setembro de 2009

Finalmente, um rosado recomendável!


Não foi nada fácil, mas encontrei finalmente um vinho rosado que me satisfez realmente, o Quinta da Giesta rosé 2008, do Dão. Não tenho qualquer pejo em afirmar que é um dos melhores vinhos rosados de Portugal, e é bom poder comprovar que os rosés não têm de ser doces ou enjoativamente frutados para serem interessantes. De cor rosada viva e brilhante, é um rosé seco e vivo, frutado mas sem exageros, incrivelmente fresco e revigorante, complexo qb, alegre, seco, versátil… como todos os vinhos rosés deveriam ser. Perfeito para a mesa, perfeito para a esplanada, com ou sem companhia.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Orçamentos

Um dos desígnios dos vinhos nacionais é a necessidade imperiosa de exportar, de conquistar novos mercados, de exportar para sobreviver. Com um mercado nacional cada vez mais contraído, a exportação tornou-se numa necessidade real, indispensável para a sobrevivência da viticultura nacional. Segundo o célebre estudo Porter, e depois de muitos ensaios e análises de empresa de consultoria, os mercados prioritários para a afirmação dos vinhos nacionais são a Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra. Claro que as propostas, como todas as propostas, são discutíveis, e poderemos considerar que a ausência de referências explícitas ao Brasil e Angola são faltas incompreensíveis num estudo desta dimensão.
Porém, é verdade que o mercado inglês, apesar de extremamente difícil, é a placa giratória do vinho, o centro de todas as decisões e tendências, capaz de afirmar ou destruir marcas de forma global. Manter uma presença forte em Londres é imperativo para qualquer país produtor, como quase todos os restantes países produtores o descobriram há muito tempo. Claro, essa presença só fará sentido se o orçamento dedicado à promoção for consentâneo com o objectivo e consistente no tempo, mantendo a visibilidade e promoção durante muitos anos. Os números podem ser assustadores. Soube-se agora, por exemplo, que o Chile conta com um orçamento de 450.000 libras só para a promoção dos vinhos chilenos em Inglaterra, com fundos garantidos pela associação de produtores chilenos (divididos de acordo com o volume de vendas), com uma pequena ajuda do governo central. A Nova Zelândia dispõe de um orçamento semelhante, financiado apenas pelos produtores., tal como a África do Sul com um orçamento de £300.000. Depois chegam os pesos pesados Califórnia com um orçamento de £615.000… e Espanha com £1.000.000 para gastar em promoção!
Felizmente existe a Itália, país que, tal como Portugal, vive de eventos casuísticos e da carolice e empenho pessoal de alguns funcionários. País que tem também a tradição anual de oferecer jantares opíparos para a imprensa… na última semana fiscal, como forma de justificar os fundos que sobraram do orçamento…

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vinho estranho?


Pois é, isto das traduções nem sempre funciona bem. Quando o proprietário desta loja parisiense decidiu passar a vender vinho estrangeiro para satisfazer o grande número de clientes que passavam no bairro não sabia onde se ia meter. Para anunciar tal decisão no novo toldo resolveu redigir o facto em inglês, socorrendo-se do dicionário de bolso para a tradução. Desconhecia é que “étranger”, para além de estrangeiro, também significa estranho. Imaginem qual foi a versão que escolheu…

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Riesling Renaissance


O livro até já tem uns anitos, a minha cópia é de 2004, mas continua a valer a pena para quem se interessar por esta casta extraordinária. Dei por ele quando andava aqui pelo escritório a tentar dar algum sentido à desarrumação quase permanente. Apesar dos cinco anos de edição mantém-se actual e interessante, uma espécie de pequena bíblia sobre quem é quem nos principais locais de eleição da casta Riesling. Dividindo-se sobretudo por Alemanha, França, Áustria e Austrália, dá ainda uma pequena volta sobre a Nova Zelândia, América, Canadá, África do Sul, América do Sul e Europa, embora estes últimos de forma muito superficial.
Escrita por Freddy Price, é um título a não perder para os apaixonados por esta casta maravilhosa (ISBN 1-84000-777-X).

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vinha fazer um depósito, sff

A crise económica, como todas as crises, aguça a imaginação. Tanto que em Itália os bancos comerciais passaram a aceitar vinho como garantia bancária para assegurar crédito aos produtores em dificuldades. Alguém descobriu que uma lei medieval, e nunca revogada, admitia as rodas gigantes de queijo parmesão como garantia bancária para empréstimos. Vai daí, o senhor ministro da agricultura decidiu fazer uma adenda à lei, permitindo que o vinho seja igualmente considerado como forma de caução.
Olhe, faz favor, queria depositar duas garrafas de branco e uma de tinto…

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Berlindes


A principal causa para o declínio dos vinhos é o oxigénio, a oxidação que o vinho sofre quando em contacto com o ar. Como todos sabemos, uma garrafa, depois de aberta, tem de ser consumida num espaço de tempo relativamente curto, sob pena de perder por completo propriedades e atributos. É irritante, mas é assim! Existem, no entanto, pequenos truques que podem ajudar a preservar o vinho depois da garrafa aberta. Sabemos, por exemplo, que o frio retarda o envelhecimento, o que impõe que as garrafas, depois de abertas, deverão ser guardadas no frigorífico. Sabemos também que quanto menor for o volume de oxigénio, menor o ritmo de evolução. Por isso, um outro truque célebre consiste em verter o conteúdo excedente para uma garrafa mais pequena, de 500ml ou 375ml, de modo a diminuir o volume de ar.
Esta semana um amigo revelou-me uma nova proposta, simples e alternativa, a sua solução pessoal para reduzir o volume de ar na garrafa. A solução? Usar berlindes, pequenos berlindes de vidro que vai acrescentando até o volume de vinho se acercar do gargalo. Depois, é só meter a garrafa do frigorífico... e voltar a beber no dia seguinte. Não sei se será muito prático, mas a indústria de berlindes certamente agradece!

domingo, 16 de agosto de 2009

As vindimas já começaram


Pois é, a época “oficial” de vindima já começou e já há quem tenha estado esta semana a vindimar no Alentejo. Agora, nesta semana que se inicia, poucos serão os que não começarão a colher, sobretudo na Vidigueira, Redondo e Reguengos. Aparentemente, há mesmo quem esteja com muita pressa em ter as uvas na adega, porque as maturações estão a disparar a velocidades vertiginosas. Maturações alcoólicas e fenólicas, com algumas castas tintas a rondarem os 14/14,5º já com a grainha perfeitamente madura, circunstância pouco habitual a meio de Agosto. Vai ser pois uma vindima serôdia que, se o tempo continuar a colaborar, poderá voltar a ser notável na qualidade.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O lápis azul


Pois é, as zelosas e puritanas autoridades do estado do Alabama acabaram de proibir, com efeitos imediatos e urgência de reacção, a venda do vinho Cycles Gladiator, por utilização de rótulo indecoroso com atentado à moral e aos bons costumes. O rótulo “escandaloso” reproduz um antigo e histórico cartaz publicitário de bicicletas francesas, omnipresente por toda a França… durante o século XIX. Haverá esperança num futuro radioso para os vinhos da Ramos Pinto no estado do Alabama?