sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mesa Marcada no Sapo


A partir de hoje o Mesa Marcada tem um novo endereço: http://mesamarcada.blogs.sapo.pt/

(Caso nos acompanhe por RSS não se esqueça de subscrever este novo endereço) 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Os 100 mais da Wine Spectator em 2009


É uma das listas mais aguardadas do ano e acabou de ser editada em pré-publicação, com edição muito próxima. Em antestreia nacional ficam desde já as duas únicas referências portuguesas da lista deste ano, o Meandro 2006, com 92 pts, e o Churchill’s Touriga Nacional 2007, com 91 pts.
Em jeito de curiosidade, os dez melhores classificados são:
• Fontodi Flaccianello 2006 (99 pts)
• Carlisle Syrah Papa's Block 2007 (98 pts)
• Domaine St.-Préfert Collection Charles Giraud 2007 (97 pts)
• Uccelliera Brunello di Montalcino 2004 (97 pts)
• Clos des Papes 2007 (97 pts)
• La Massa Giorgio Primo 2007 (97 pts)
• Saxum Broken Stones 2006 (96 pts)
• Numanthia-Termes Termes 2005 (96 pts)
• Merry Edwards Sauvignon Blanc 2007 (96 pts)
• Poggio Il Castellare 2004 (96 pts)
• Renato Ratti Marcenasco 2005 (96 pts)
• Hall Cabernet Sauvignon Kathryn Hall 2006 (96 pts)
• Barone Ricasoli Castello di Brolio 2006 (96 pts)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Restaurante Romando (Vila do Conde) apresenta “A Melhor Carta de Vinhos”

Como o tempo é escasso e a noticia é relevante para dar em 1ª mão (ou 2ª, ou 3ª, whatever), publique-se o comunicado de imprensa:

O Restaurante Romando, de Vila do Conde, foi o grande vencedor da edição de 2009 do Concurso Nacional de Cartas de Vinhos, uma iniciativa da Revista de Vinhos em parceria com a distribuidora PrimeDrinks, ao assegurar o primeiro lugar na categoria “A Melhor Carta de Vinhos”. O segundo lugar desta classificação para a melhor carta em termos absolutos foi alcançado pelo Buhle, do Porto, tendo o Restaurante Fortaleza do Guincho, de Cascais, conquistado a terceira posição.

Este concurso, recorde-se, visa escolher e premiar os restaurantes estabelecidos em Portugal que disponibilizam a melhor carta de vinhos aos seus clientes (classificação absoluta), distinguindo, também, algumas categorias específicas de cartas de vinhos, como a Melhor Carta de Vinhos Regional, a Melhor Carta Preço/Qualidade e a Melhor Carta Vinho a Copo, tendo os respectivos prémios sido entregues hoje, dia 16 de Novembro, numa cerimónia que decorreu no âmbito do Encontro com o Vinho/Encontro com os Sabores, um evento promovido pela Revista de Vinhos no Centro de Congressos da FIL, em Lisboa.

Ainda na categoria “A Melhor Carta de Vinhos, o júri decidiu atribuir dez menções honrosas aos seguintes restaurantes: Vila Joya (Albufeira); Nellitos (Almancil); Casa da Dízima (Paço d'Arcos); São Gabriel (Almancil); Amadeus (Almancil); Flor de Sal (Mirandela); Sem Dúvida (Lisboa); Cais da Estação (Sines); Casa Matos (Salreu) e Tasca do Joel (Peniche).

Na categoria de Melhor Carta de Vinhos Regional, que pretende distinguir um restaurante especializado em cozinha regional que tenha uma carta de referência no que se refere aos vinhos da região, o grande vencedor foi o Restaurante Castas e Pratos, da Régua (Douro), logo seguido do DOC, em Armamar (Douro), tem ficado na terceira posição, ex-equo, a Casa Arouquesa, em Viseu (Dão) e a Vintage House, no Pinhão (Vinho do Porto). Nesta categoria, as menções honrosas foram para A Escola, em Alcácer do Sal (Alentejo) e Castas do Convento, em Moção (Vinhos Verdes)

No que se refere à categoria Melhor Carta Preço/Qualidade, que pretende distinguir os restaurantes que tenham uma boa e diversificada carta e que apresente uma boa relação de preço face à qualidade dos vinhos disponíveis, a vitória foi para o Restaurante .Come, de Alcabideche, tendo a Casa Matos, de Salreu, alcançado a segunda posição.

Finalmente, na categoria Melhor Carta «vinho a copo», que distingue o restaurante com uma melhor e diversificada oferta de vinho a copo constante na sua carta de vinhos, a escolha do júri voltou a recair no .Come, de Alcabideche, seguido do Shis, no Porto, e da Tasca do Joel, em Peniche. As menções honrosas foram para a Casa Arouquesa, de Viseu, o restaurante Bocca, em Lisboa, e o A Ver Navios em Santa Catarina, em Lisboa.

Refira-se que a Revista de Vinhos e a PrimeDrinks realizam este concurso com o intuito de promover e aumentar a diversidade da oferta de vinhos de qualidade através da Restauração, incrementando a importância deste canal como mostruário da imensa diversidade dos vinhos portugueses, bem como o serviço e o consumo de vinho a copo de qualidade dentro da Restauração, como forma de adaptar o seu consumo às exigências de uma vida saudável e civicamente responsável.

 Parabéns aos vencedores e faço votos para que os premiados deste concurso sirvam de inspiração a todo o meio neste tema fundamental.

O que se leva desta vida


“O que se leva desta vida” é uma peça de teatro, em cena no São Luiz (http://www.teatrosaoluiz.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=76), que retrata a criação de um novo prato que ambiciona a estrela Michelin num restaurante fictício de cozinha erudita. A peça é brilhante, muito bem assessorada por nomes como José Avillez ou Fausto Airoldi, traçando com incrível humor e fina subtileza uma das grandes discussões transversais à gastronomia e ao vinho, a controvérsia entre a pureza da matéria-prima e a transformação, criação e reimpressão da natureza na cozinha… ou na adega.
Os amantes da gastronomia e do vinho vão sair extasiados… A não perder!

sábado, 14 de novembro de 2009

Pub grátis (day after)



Bom... não é propriamente a bebida daquelas viúvas de Reims, mas pode saber a tal pela manhã do "day after".  Então em fim de semana de Encontro com o Vinho (na antiga FIL) e respectivos jantares paralelos, como é o caso deste, um Guronsan até sabe a Krug 88.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Entrevista a uma Inspectora do Guia Michelin



A resposta não passa de um chorrilho de lugares comuns. De qualquer forma a iniciativa não deixa de ser interessante, tal como este site criado nos Estados Unidos. Só não se entende porque é que a Michelin não faz o mesmo na Europa.

Pub Gratis (Thank god i'm a man!)





(clicar nas fotos para visualizar melhor)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Embirrações XXV

Fausto Airoldi é chefe dos restaurantes Suite e Spot e presidente da Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal (www.acpp.pt), cuja sede em Lisboa, na Rua Sant'Ana à Lapa, 71 C, é uma antiga agência do BCP Privado, está aberta ao público, tem cursos de cozinha e loja. Vale a pena visitar. Ele está a dar uma interessante entrevista à NovaCrítica-Vinho, mas já nos disse que detesta tripas enfarinhadas. Logo ele, que tanto admira a nossa cozinha tradicional.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

João Pires no Gordon Ramsay

Parece que João Pires vai ser o novo chefe de escanções do Gordon Ramsay, o restaurante três estrelas Michelin de Londres que leva o nome do seu célebre chefe. A confirmar-se, trata-se de excelente notícia, porque, embora seja um óptimo profissional que faz falta a Portugal, João Pires pode defender bem os nossos vinhos num dos principais restaurantes de uma das principais capitais europeias. É esperar para ver.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ponha aqui o seu pezinho


O convite era tentador: 4 dias de “dolce fare niente” no Choupana Hills, no topo de uma exuberante colina com vista sobre o Atlântico e a cidade do Funchal. O corpo pedia tréguas e o local reunia todas as condições para lhe satisfazer os caprichos. Mas era óbvio que não podia perder a oportunidade de conhecer um pouco mais a oferta gastronómica desta ilha madeirense. Cinco dias – acrescidos de outros três, em Julho –  não são suficientes para um aprofundado conhecimento de causa, mas dá para perceber que existe uma oferta variada que vai do quiosque de rua que vende bolo do caco nas mais diversas formas, até ao mais sofisticado dos restaurantes (na sua grande maioria em hotéis), passando por locais mais populares, ou mais tradicionais (uns mais para turistas, outros mais para consumo interno).
Esperava encontrar à mesa uma presença mais forte da gastronomia local. Mas tal como acontece em muitos outros sítios onde o turismo é preponderante, esta presença acaba por se diluir no meio de uma cozinha globalizada (para o bem e para o mal) e também na dificuldade em conseguir fornecimento regular produtos locais de qualidade (uma queixa que ouvi de chefes dos restaurantes de topo).


Xôpana (Choupana Hills) – Funchal

Uma das pessoas que vi mais empenhadas a este respeito foi Mommo Abbane, o Chef  canadiano de origem argelina que comanda a cozinha do Xôpana, o restaurante do Hotel Choupana Hills. Na sua cozinha de fusão de influência oriental encontramos, por exemplo, um tártaro de atum com chantilly de wasabi; peixe espada com chutney de pimpinela (chuchu) e molho de maracujá; filete de bodião e juliana de verdura Thai; ou um cheesecake de bolo de mel. Do que experimentámos, encontrei criatividade e um grande equilíbrio de contrastes e conjugações a nível de sabores, texturas e inclusive em termos nutricionais. Destaco o foie gras à la plancha com mil folhas de ananás, molho de chocolate e malvasia e o linguado com  ceviche de vieiras, caviar, inhame da ilha e creme de couve lombarda.
(preço médio com vinho: 60/70€, pax)



ceviche de vieiras, caviar, inhame da ilha e creme de couve lombarda

Ainda dentro do género de cozinha mais sofisticada, duas outras boas apostas são os restaurantes Quinta da Casa Branca, no hotel de charme com o mesmo nome, e o Uva, no novíssimo Hotel The Vine.


Quinta da Casa Branca – Funchal

Na Quinta da Casa Branca temos um jovem cozinheiro, Miguel Laffan,  a fazer uma cozinha internacional de matriz francesa, quer em termos de técnica quer em termos de produtos base. No almoço que degustámos esteve quase tudo muito correcto, com produtos de boa qualidade a serem bem trabalhados. Umas vieiras no ponto, com cogumelos selvagens constituíram uma entrada muito agradável (mesmo que um brioche com salmão fumado aparecesse no prato sem grande propósito), o mesmo acontecendo com um impecável magret de pato fatiado servido com favas e uma espécie de risotto de trigo. Na sobremesa um coulant de chocolate ladeado por banana e gelado de maracujá deu um toque insular à refeição que decorreu no exterior, num pátio rodeado de um jardim luxuriante. (preço médio com vinho: 50/60€, pax)



magret de pato fatiado, favas e risotto de trigo

Uva (Hotel The Vine) - Funchal

No Hotel The Vine, State of Art em termos de design moderno, tudo parece ter sido criado para esmagar. À saída do elevador, no último andar do edifício que se situa no centro da cidade, deparamo-nos com um amplo terraço de vista assombrosa, como se estivéssemos no palco de um anfiteatro pontuado de luzes em volta. O Uva fica num dos lados. No menu a inscrição “cozinha de autor, por Antoine Westermann com interpretação de Thomas Faudry e sua equipa”, revela a ambição – A Madeira teve pela primeira vez este ano um restaurante galardoado com uma estrela Michelin, o Il Gallo D’Oro, e Antoine Westermann tem em Estrasburgo, no Buerehiesel, um três estrelas, e, em Cascais, o Fortaleza do Guincho, com uma. Por isso não é de estranhar que o menu seja o mais francês de todos. Não experimentámos a asa de raia salteada, nem a galinha de Bresse, mas alinhámos por terras gaulesas num intenso consomé de cogumelos “cepes” com torrada dos mesmos e nas noisettes de veado assadas, com um “tatin” de marmelo. Antes um óptimo lavagante azul assado com massa fresca de forte sabor cítrico - uma conjugação simples e atractiva. (preço médio com vinho: 60/70€, pax)



noisettes de veado assadas, com um “tatin” de marmelo

Santo António – Câmara de Lobos

No dia seguinte foi vez de fazer uma romaria ao restaurante Santo António, em Câmara de Lobos, conhecido por fazer uma das melhores espetadas de carne, da ilha (pára-se naquela zona da cidade como quem pára na Bairrada para comer leitão). Outrora em pau de loureiro, hoje em dia esta especialidade chega-nos à mesa num espeto de metal ficando apoiada ao alto, na mesa. Os pedaços de carne do lombo estavam suculentos, o tempero acertado e, a acompanhar, o imprescindível milho frito. (preço médio com vinho: 20/25€, pax)



espetada de carne, milho frito, bolo do caco...

 Cantinho da Serra – Santana

Do desafio para uma caminhada nas levadas de Santana chegámos ao ultimo restaurante deste grupo. Ora marcar uma actividade física para as 13h pressupõe um reforço calórico para aguentar tão árduo esforço. Cantinho da Serra é o nome deste restaurante de comida caseira. Pela mesa espalhavam-se diversas entradas: boas a bola de atum, a carne de porco em vinha d’alhos e a morcela de sangue; dispensáveis as pastas de atum e outra de um sucedâneo de ovas de salmão.  Da carta escolheu-se algo mais substancial. Nesse Sábado havia uma joelheira de porco, que juntámos ao cabrito à Senhor da Serra, ao galo do campo e a um bacalhau assado. Tudo comida de forno cozinhada por alguém que trata por “tu” os alimentos e com boa mão para o tempero. Acompanhamentos comum para as carnes: papas de milho (muito boas) e batata primor. As sobremesas foram ponto fraco desta refeição. Entre o doce da casa (aquela coisa também conhecida por “doce da avó” e que é uma adaptação, “tipo” tiramisu), o doce de natas e a mousse de maracujá, entre outras propostas colocadas na mesa, reinou a  mediania. (preço médio com vinho: 25/30€, pax) 


joelheira de porco, batata primor e batata doce


E assim se passaram cinco dias na Madeira  cujo o objectivo era o de dar tréguas ao corpo. Mente sã em corpo bem nutrido. Não é assim o provérbio?


Contactos:

Xôpana : Choupana hills Resort&Spa, Funchal. Tel: 291206020
Quinta da Casa Branca: Rua Da Casa Branca 7, Funchal. Tel: 291 700 770
Uva: Hotel The Vine, Rua dos Aranhas, No 27 – Funchal. Tel: 291 009 000
Santo António: Rua João Gonçalves Zarco - Estreito Câmara de Lobos. Tel: 291910360
Cantinho da Serra, Pico António Fernandes, Santana. Tel: 291573727

Texto publicado originalmente no suplemento Outlook (Diário Económico) em 7 Novembro 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

Pura maldade


Eu sei que é perverso e quase desumano, mas vá lá, só mesmo para provocar, deixem-me adiantar o alinhamento do jantar de um amigo que percebe mesmo de vinhos, há coisa de quatro ou cinco dias. Nos brancos entrámos com um embate entre Chapoutier Le Méal blanc 2000, Kumeu River Mates Vineyard 2006, Georges Vernay Condrieu Coteau de Veron 2006 e Delas Condrieu Clos Boucher 2006. Forma incrível para o Georges Vernay, decepção tremenda para o Delas!
Para os entreténs de boca avançou o Chateau d’Yquem 1988, soberbo como raramente o são os Sauternes.
Para a piéce de resistance alinharam-se Penfolds Grange 2002, Penfolds Grange 2001, Penfolds Grange 1998, Gaja Sori Tildin 1997, Chateau Ausone 1997 e Opus One 1997. Custa-me admitir, mas a estrela da noite foi mesmo o Grange 1998, seguido de muito perto pela Grange 2002 e Gaja.
Para rematar em beleza, o Chateau Les Justices 1998, um Sauternes bem engraçado, que desconhecia por completo…

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma sanduiche gourmet, sff.

O artigo não explica se o sucesso do Xie Xie, em Nova Yorque, se deve  à conjuntura ou se foi porque se descobriu por ali o filão das sanduiches gourmet (de que Alain Ducasse se tornou fã). Por cá andamos mais entretidos com a veia petisqueira de Vitor Sobral e de Miguel Castro Silva, mas para quem quiser boas sanduiches poderá encontrá-las aqui, pela mão de Michele Guerrieri (curiosamente um italiano com passado novaiorquino).



Esta não é de um nem de outro. Foi tirada do blog amazing sandwiches.

Biológico... ou biónico?


Pois é, não sei se teria coragem para provar este "sapo biónico" nascido na Califórnia...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Portuñol


Foi mesmo este o nome eleito por François Lurton para ilustrar o seu novo projecto de vinho, um licoroso de Toro, um vinho extreme da variedade Tinta de Toro, elaborado “ao estilo” do Vinho do Porto. Apesar de pouco, ou nada, se assemelhar a um Vinho do Porto, este Portuñol acaba por ser engraçado, irreverente e muito frutado, apesar de claramente magro e curto na boca. E, claro, apesar da inspiração evidente e assumida no Vinho do Porto, as diferenças, essas também são notórias, começando pelas uvas passificadas de uma só casta… e terminando no estágio de alguns meses em barricas de carvalho francês!
Curiosamente, por mais que uma vez senti que o estilo se situava num registo muito próximo dos “Port Style Vintage” australianos… o que não constitui exactamente o melhor elogio.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Embirrações XXIV

As memórias de infância de Luís Rodrigues, o jovem Chef do restaurante Flores, do Bairro Alto Hotel, fizeram com que não goste de coelho. Felizmente a memória de ter assitido a alguns abates caseiros não lhe tolheu a criatividade, nem o medo de arriscar - cada vez com  maior segurança -  à frente da cozinha deste restaurante de Lisboa.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dez anos de quem não ia aguentar seis meses

O Augusto Gemelli comemorou ontem os dez anos do seu restaurante com uma animada festa e fez-me lembrar dos seus primeiros tempos como patrão-cozinheiro, uma figura então rara na restauração portuguesa. Em vez de se meter no conforto de algum hotel ou numa fórmula garantida de cozinha italiana de plástico, ele arriscou e conseguiu tornar o seu pequeno espaço num local de culto gastronómico, hoje, felizmente, um pouco maior. Por tudo isto, pelo exemplo que deu, pela coragem, merece os parabéns e os votos de que comemore muitas décadas entre nós, mesmo que neste momento também seja forçado a fazer uma cozinha abaixo das suas possibilidades, a preços mais adequados à realidade do nosso mercado.
A ocasião também me fez lembrar a quantidade de vezes que me disseram, principalmente durante a difícil fase de afirmação do restaurante, que "o Gemelli não se vai aguentar nem seis meses" ou "aquilo está para fechar". Creio que noutras áreas de actividade a boataria também é frequente, mas na restauração...Se eu acreditasse em tudo o que me disseram "de fonte segura" e não me tivesse dado ao trabalho de confirmar junto dos próprios, teria escrito que Aimé Barroyer foi despedido não sei quantas vezes do Pestana Palace, que a Fortaleza do Guincho ia acabar com a consultoria de Antoine Westermann, que o Vítor Sobral se ia embora para o Brasil, que o José Avillez não se aguentava no Tavares e por aí fora. Por curiosa coincidência, ainda ontem me telefonaram a garantir que o chefe de um renomado restaurante lisboeta ia sair (aliás, já tinha saído há dez dias) e abrir um pequeno restaurante próprio. Liguei-lhe e ele desmentiu-me cabalmente a "informação". Mais tarde, encontrei-me por acaso com o proprietário do restaurante, coloquei-lhe a questão e ele riu-se a bom rir, ligou para o chefe à minha frente e riram-se juntos mais um bocado. Eu só não ri com eles porque sei que infelizmente muitos desses boatos são postos a circular propositadamente e que podem causar problemas a restaurantes e à gente que neles trabalha. E o mais triste é que na sua maioria esses boatos têm origem em "colegas" de profissão que parece que não percebem que "quem com ferro mata, com ferro morre".

domingo, 1 de novembro de 2009

Mas que grande lata...


Convenhamos, nunca antes o conceito de vinho de garagem tinha sido levado a tal extremo…
E não, não é um vinho australiano, californiano, ou de outras paragens tal-qualmente liberais. É um vinho da velha Europa, um vinho alemão…coerentemente aprontado numa antiga garagem de tractores!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Em grande no Alto de Lisboa


Restaurante Panorama


Poucos são os restaurantes que se podem gabar de possuir uma vista esplendorosa como este. Situado no último andar do Hotel Sheraton, um dos maiores edifícios de Lisboa, o Panorama não pretende ser apenas mais um restaurante de hotel virado para a clientela interna. As obras de remodelação de que o hotel foi alvo, em 2007, transformaram-no numa referência “trendy” da capital e tiveram um efeito semelhante no restaurante. E as coisas nem começaram muito bem neste ponto. Declarações precipitadas sobre a ambição de conquista de estrelas Michelin a curto prazo, ainda o restaurante mal tinha aberto, colocaram a fasquia demasiado elevada a um jovem Chef, Henrique Sá Pessoa, que iniciava ali uma nova etapa com uma equipa a necessitar de rodagem e entrosamento. As reacções não se fizeram esperar e as referências negativas leram-se e ouviram-se por aí. Felizmente esse passo em falso foi superado. O Henrique saiu para abrir o Alma, onde faz neste momento um enorme sucesso, e Leonel Pereira substitui-o à frente da cozinha. Seguiu-se um período discreto em que pouco se ouviu falar deste espaço, o que permitiu ao novo Chef afinar e desenvolver as suas propostas. Leonel Pereira não é propriamente um novato, antes pelo contrário. No seu currículo constam passagens por Paris, Veneza, Algarve e Brasil onde, neste ultimo país, como responsável pela cozinha dos hotéis Pestana, foi considerado Chef revelação do Ano por uma grande referência local, o Guia 4 Rodas. Talvez por influência de todos estes sítios por onde passou a sua cozinha de autor é uma cozinha do mundo em que produtos de várias proveniências se cruzam numa fusão equilibrada, sem números de circo.
Suba-se então ao último andar, saia-se do elevador e dê-se de caras com a vista panorâmica sobre a cidade. À direita um piano transparente demarca a zona do bar (onde é permitido fumar). À esquerda, após o balcão, a sala de refeições. O Luxo impera e felizmente um certo bom gosto também. Cores sóbrias, iluminação exemplar e mesas à distância certa. Sobre as mesas - bem atoalhadas - loiça, copos (para água) e talheres, tudo Christofle.  
Com esta envolvente e com um menu cheio de propostas sugestivas é quase criminoso não optar pelo menu de degustação. O de 5 pratos custa 49€ e vale a pena. Na noite em que jantámos, há cerca de um mês, a sessão teve um começo auspicioso com um carpaccio de vieiras e ananás como entretém de boca. De seguida, de entrada, um tártaro de robalo com ovas de tobiko (peixe voador), funcho e cerefólio, servido com um gaspacho de morangos. A profusão de elementos poderia colocar em risco sabores mais delicados, como os do robalo. Mas isso não aconteceu e cada ingrediente teve o seu papel sem anular o outro. Aliás este princípio foi válido para os restantes pratos. Ao contrário de uma tendência actual mais minimalista, Leonel Pereira utiliza bastantes elementos em cada prato mas consegue fazê-lo quase sempre de forma harmoniosa (e também com sentido estético apurado), como aconteceu também com o prato seguinte, Lagostins salteados com cristais de cítricos, geleia sólida de alvarinho perfumada com baunilha e falsa maionese de melancia. No Robalo cozinhado em vácuo com água do mar e salicórnias, creme de topinambours e (cogumelos) pleurotus, a profusão de elementos foi mais contida, o que permitiu uma maior expressão ao sabor delicado do peixe. Como prato de carne tivemos um Carré de leitão desossado com batata nova confitada em azeite de baunilha e acompanhado de um puré de nectarinas. Pena que o puré não tivesse dado o contraste cítrico necessário a tão forte conjugação com a baunilha a sobrepor-se em demasia. O que valeu foi que para desenjoar foi-nos servida uma sobremesa light : Bouquet de frutas - morangos, framboesas, mirtilos, maças e figos -, folhas e flores sobre creme de papaia e nêspera.
Em termos de vinhos o serviço foi correcto: boas opções na carta, temperatura certa, bons copos). A acompanhar o menu bebeu-se um Covela branco 2007, embora o leitão necessitasse de algo mais robusto. Por último, de referir que fomos atendidos por uma equipa de bom nível profissional que ajudou a completar o bom momento de refeição neste espaço de características únicas.   

Tártaro de robalo com ovas de tobiko , funcho e cerefólio,  gaspacho de morangos



Carré de leitão desossado, batata nova confitada em azeite de baunilha, puré de nectarinas



Bouquet de frutas, folhas e flores sobre creme de papaia e nêspera
(Preço da refeição descrita + couvert, água e cafés: 141€/2 pessoas)
Contactos: Hotel Sheraton Lisboa, Rua Latino Coelho 1 - Lisboa ; Telefone: 213120000
Texto publicado originalmente no suplemento Outlook (Diário Económico) em 24 Outubro 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Guia de Vinhos Rui Falcão 2010



A Edição de 2010 do Guia de Vinho do Rui Falcão, com mais de 4000 vinhos classificados, acaba de sair. Este ano mais cedo, este é o segundo guia de vinhos a sair para o mercado, depois do de João Paulo Martins.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Cantina vencedora


Ambientes descontraídos, petiscos na mesa, bons preços. Há mais um lugar em Lisboa muito recomendável para quem aprecia a fórmula. Trata-se da Cantina, no fabuloso espaço da Lx Factory (só é pena a inglesada, apesar de se perceber as alusões warholianas), perto do Largo do Calvário, com as suas lojas e ateliers, destacando-se a livraria Ler Devagar, onde não se deve perder a visita, no piso superior, às engenhocas do artesão italiano Pietro, com explicação do próprio. Fui jantar duas vezes à Cantina, a segunda na semana passada, e gostei muito. A começar pelo óptimo pão, acabado de cozer no forno a lenha, os enchidos de entrada, as tostas com escabeche de coelho, a raia frita, o pato assado, o arroz de carqueja com vitela barrosã. Tudo muito bem feito e saboroso. Só para se ter uma ideia, na última vez, éramos uns oito ou nove à mesa, bebemos, é claro, o vinho da casa servido a jarro (há outros, de marca, mas aqui não me faziam sentido), pagámos 15 euros por cabeça.
O lugar está decorado caoticamente, aproveitando peças antigas, com um bom gosto impecável, à noite fica cheio e é muito bem frequentado, com clientes animados e satisfeitos. Conversei brevemente com José Bengaló (espero não estar a escrever mal o nome), um profissional experiente e bem disposto, que creio já ter estado nas equipas de Justa Nobre e Vítor Sobral, entre outros, e fiquei com a melhor das impressões. A ideia, disse-me ele, é mostrar pratos bem portugueses que fujam à vulgaridade dos "pratos do dia" que se vêem de Norte a Sul do País. Convém reservar: 91 2292105.
Nota: fotografia roubada à Time Out. Espero que não se importem.